2008-07-18

foto&legenda # 417 (<- ->)

Se procuras Shakespeare, podes ir tanto para a direita quanto para a esquerda. É assim, com a escolha, que se abre o sentido de cada tragédia.
fotografia © Pedro Figueiredo
legenda © Sérgio Faria

2008-07-16

foto&legenda # 416 (concórdia)

Separadas, a direita e a esquerda, concordam as mãos no trabalho a que são levadas, mexendo nas coisas e pondo obra sobre elas. E pelas mãos passa a invisibilidade de sempre, a demora longa. Até determinado limiar chama-se-lhes vida. Porém o que mostram sempre é a concórdia, inclusivamente no ritmo com que enrugam e redobram a própria hipótese. Daí que, quando se pergunta onde começa a humanidade, não haja resposta mais certa do que nas mãos, porque já duas são dadas em uma pessoa só. De si nascem a multiplicação e a unidade.
fotografia © Tiago Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

2008-07-12

foto&legenda # hors-série (das continuações, viii)

Como é que compreendo os dias?, perseverando as esperas. Ao demorar consigo decifrar o seu enredo. Torna-se evidente que, nos dias, o amor não é um valido e que amar é um verbo intransitivo. Por isso, do apocalipse, das cicatrizes, dos gemidos estrangulados, das vasas onde deito o corpo, não sei para onde vou. Também não me parece que seja importante saber o destino. Não estou a pensar arrancar-me à sua força. Confesso, imagino o destino como um ovo. É estranho, reconheço, porque ovo significa princípio e destino significa fim, mas talvez seja assim porque é imaginação, por nada mais. Às vezes os sentidos misturam-se. __________________________ Esquece os meus pés, esquece o pó. Uma máquina conduz-me para a distância, os dias levam-me. Eu não volto.
fotografia © Man Ray
legenda © Eliz B.

2008-07-10

foto&legenda # 415 (casa dos comuns)

Esta é a nossa casa, dizem a quem sem abrigo distinto da solidão, como se fosse uma frase de um romance, para amparo. Dizer a frase não é problema maior do que acreditar nela. Em si há um mote de verosimilhança, a que o papel, primeiro, e a ecúmena de Gutenberg, depois, emprestaram foro civilizacional. Não são poucos os que acreditam que, de facto, esta é a nossa casa. Mas, porque falhamos a habitação, na sua proporção maior a frase dita não tem verdade.
fotografia © Pedro Figueiredo
legenda © Sérgio Faria

2008-07-08

foto&legenda # 414 (lacrimæ rerum)

A ti, só a ti, poderia dizer certezas, daquelas que os olhos vêem. Poderia insistir até que a evidência se revelasse diante de ti. Poderia lavar os teus olhos com as minhas lágrimas, antecipando-te o inverno. Sei que, não obstante todos os meus esforços, continuarias a não ver o que eu vejo, porque esse é o valor que guardas. Estás quieta para que, cumprindo o sentido das coisas, os outros possam ver por ti e dizerem-te certezas que talvez não haja.
fotografia © Nuno Abreu
legenda © Sérgio Faria

2008-07-04

Workshop de fotografia da natureza


Workshop no estúdio A IMAGEM por Eduardo Barrento, vencedor na categoria "natureza" do prémio fotojornalismo VISÃO/BES, Lisboa, 2008.


Local: estúdio A IMAGEM Ourém e saída para o campo
Data: Domingo, 20 de Julho de 2008
Horário: 10 horas
Destinatários: Iniciados, ou amadores com alguma experiência
N.º máximo de participantes: 15
Preço: 50 euros
Contacto/Inscrições: estúdio A IMAGEM Ourém
geral@aimagem.com
tel. 249 542 004

PROGRAMA DO WORKSHOP

Manhã

1. Introdução à Fotografia da Natureza e da Vida Selvagem
1.1 Paisagem
1.2 Animais
1.3 Macro

2. A Exposição
2.1 Sensibilidade
2.2 Abertura e profundidade de campo
2.3 Velocidade de obturação e o “tremido”
2.4 Expondo correctamente

3. O Material Fotográfico
3.1 Câmaras
3.2 Objectivas
3.3 Tripé
3.4 Flash
3.5 Extras para a fotografia da natureza

4. A Composição

5. Considerações Finais e Dúvidas

Pausa para almoço


Tarde

6. Saída para o campo

2008-07-01

foto&legenda # hors-série (mehr licht!)

Caio de cima, de onde cai tudo, e entro demasiado nos olhos. Chamam-me luz, ortónimo que nunca vi.
fotografia © Tiago Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

2008-06-28

foto&legenda hors-série (das continuações, vii)

Sinto o tempo desprendido de mim, o atraso intacto. Espero o adeus. O meu organismo espera-o também, comigo. Se a paixão deixou de ser turbinada?, deixou, sabes bem que deixou. O amor é um séquito de demónios, a beber no sangue, a banquetear-se nas dúvidas, que não pode deixar a carne sem atenção. Não basta que combine com a tensão arterial. Sei que o coração não tem permanências. É um dispositivo irregular, afectado pelas caves e fissuras que o constituem. Mas não é aí, nesse facto, que reside o problema. Agora tenho a tesão partida, é-me em agonia. Se a culpa é tua?, é irrelevante. O nosso amor bandido não pode continuar sem exigir demais à bricolage dos nossos corpos. Tens coração de pistoleiro, olhos de menino, enganas-me. Eu engano-te também, enganamo-nos. Somos demasiado previsíveis e sem depois. Por isso, caso perguntes o que é que aconteceu?, responder-te-ei aconteceram as nossas vidas. Aconteceram até bifurcarem-se em desejos distintos. Para recuperar o nosso amor é tarde, demasiado tarde. É como quereres recuperar um cigarro da cinza. O meu coração dilata, porém não tanto que possa alcançar outra vez o que passou. Menos ainda quando a tua preocupação maior é o pó sobre as coisas e quando eu consigo enganar-me sem ti. Tenho braços, tenho mãos, tenho dedos. Não necessito do teu consolo. Sou dentro de uma mulher, sem dissidência. Ainda sinto os amores como se fossem o primeiro e não houvesse mais, futuro, continuação. Mas sei que há.
polaróide © Fenton Bailey
legenda © Eliz B.

2008-06-23

foto&legenda # hors-série, bis (contra mão)

a single high pitched scream
followed by breaking glass
but could your anger be mapped
into an interpretive dance
to a trip hop track
could it be bowed out on strings
or strung into a pattern
for a god’s eye to bring to
your alma mater’s holiday fundraiser boutique thing
*

Julgo que já tive mais tempo. Antes era definido, funâmbulo, porém definido. Menos vida é isso mesmo, definição e prolongamento. Numa palavra, urgência. Foi sob o motivo da urgência que me surgiu a necessidade de fintar a segurança, a segurança social incluída. Por isso no mesmo gesto concordei promessa e risco. Se estou arrependido? Ainda tenho as mãos, estás a ver?, pelo que não sei se faz sentido o arrependimento. Esta é esquerda, estoutra é esquerda também. Tenho duas mãos sem simetria. Portanto, arrepender-me de quê?, da minha natureza? Estás a perceber? Se eu esconder as mãos, muda alguma coisa? Muda o que vês, apenas isso. Mas a minha condenação por ti permanecerá. Não tens epifania para as minhas mãos. Não é pelo que vês que me condenas, é pelo que não queres ver. Compreendo a tua cegueira para as evidências raras. Também deus é como nós, um desvio a Merleau-Ponty.
fotografias © Tiago Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

* versos da canção “The fall of mr. Fifths” (in Alopecia, Anticon., 2008), dos Why?.

2008-06-21

foto&legenda hors-série (das continuações, vi)

Se disser que doem-me as costas, acreditas? Doíam-me já ontem e hoje continuam a doer-me. É verdade. __________________________ Os corpos não apelam todos de modo igual. Por exemplo, eu julguei-te mais vivido, com mais estradas. Pedi-te traz-me pecados, mas por algum motivo não correspondeste ao meu pedido. Posso teorizar sobre o assunto, pois posso, porém basta-me a angústia do que posso. Enganei-me, para mim esta admissão é suficiente. Acresce que a ideia de tornar a sacrificar-me por ti não me parece boa. Já me sacrifiquei antes, não estou disposta a repetir sem vantagem. __________________________ O bem não faz parte da minha natureza. Aliás, o bem não faz parte da natureza. Para além disto, ou somos comunidade, juntos, ou não somos e não seremos. E não fiques a pensar que arrumar o cancioneiro da solidão é missão com que me comova ou com a qual seja capaz de entreter-me. Não te iludas. Sei que no fim, diante do fim, tudo o que terei comigo é o meu passado. Daí que prefira que ele constitua culpa, não remorso. Porque da culpa, a minha, aproveito.
polaróide © Fenton Bailey
legenda © Eliz B.

2008-06-20

foto&legenda # 413 (aqui, purgatório)

Mesmo à distância é possível observar o território assinalado, o alcance que podemos, como corpo que é aqui, tão perto e tão longe, onde é algo mais do que nós e nós com ele, porque prisão nossa, da qual somos o continente e o erro.
fotografia © Tiago Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

2008-06-15

foto&legenda # hors-série (der tod ist ein dandy)

Pátria, não sei o teu nome, mas, a entardecer na penumbra, vejo-te meia carne meia passagem, uma parte corpo, outra parte expresso. Compreendo o teu sentido. Também eu desejo morrer a cavalo ou em nome que me leve a longe.
fotografia © Tiago Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

2008-06-14

é pá, é só para declarar que a descoberta pela Eliz B. das duas últimas polaróides e de duas outras que hão-de ser aqui expostas foi consequência de uma sugestão prestimosa do Tiago.

foto&legenda hors-série (das continuações, iv)

Os rapazes tornam-se homens e os homens tornam-se problemas, às vezes rapazes com problemas, porque retrocedem, esperançados em reencontrar o amparo do peito maternal que o crescimento afastou. Isto parece ser um artifício narrativo, mas é uma proposição correspondente aos factos, adæquatio rei et intellectus, demasiado verdadeira para ser boa. Verum e factum. Talvez por isto prefiro os homens, eles (a)traem-me, despertam em mim o instinto de mulher, sem plural, com transpiração. Eu sou difícil, não nego, mas os homens são mais. É mais do que uma questão de atracção, é uma questão de diferença, que tem tanto de naturalidade quanto de fatalidade. A condição feminina transporta a condição trágica, a menstruação, as dores disso, nascemos equipadas para sermos mãe, mesmo aquelas que renunciam à vontade de recriar a humanidade dentro de si. Os homens, esses, são frágeis em todos os sentidos, ainda que eventualmente mais resistentes. Degradam-se e suportam a degradação própria com resignação. Olham em volta, deixam-se estar, tornam-se indíces da indigência e do espectáculo da miséria. Como disse, às vezes transformam-se em rapazes com problemas, tornam-se ainda mais insolentes. Conheço-me, não toleraria repetir-me assim e ser consequência de tal repetição, exposta para os outros. Já me basta a evidência de passear no campo e, enquanto, fumar um cigarro. Não sei porquê, não acredito em revoluções, sou contemplativa.
polaróide © Autumn Sonnichsen
legenda © Eliz B.

2008-06-07

foto&legenda hors-série (das continuações, v)

Sabes?, às vezes ouço a mesma canção tantas vezes seguidas que fico sem motivo para dizer o que quer que seja. Não sei se é normal e não sei explicar muito bem. Sento-me no chão do quarto, contra a porta. Esta é a posição em que fico. Ao princípio ouço a canção uma, duas, três vezes, com muita atenção. Após ouço-a mais três, quatro vezes, para descobrir-lhe os pormenores. A partir de determinado momento começo a ficar anestesiada e a sentir uma voz a roçar-se dentro de mim, a perguntar-me se eu sou uma deles. Mas a voz é em inglês, are you one of them?, assim. Eu não respondo. Naquele momento já estou sem palavras. Esgoto-me assim. E continuo a ouvir a canção, mais vezes, mais ainda, até ela ser uma parte do meu corpo, mais do que uma parte de mim. Estás a perceber? O mesmo repisado e repisado, instalando-se na minha carne, camada sobre camada, sem dor e sem resistência. Acolho totalmente a canção. E o que é mais estranho é que este processo faz sentir-me simultaneamente rendida, porque fico exausta, e fortalecida, porque sinto-me preenchida com a força da canção. __________________________ Não, não, eu só faço isto quando estou sozinha. Preciso da solidão. Começo em mim e depois prolongo-me, primeiro dentro do que sou, a seguir no quarto. É uma sensação estranha, mas não é uma sensação má. Eu gosto. Tanto que repito com outras canções. Canções tristes.
polaróide © Olive e Rose
legenda © Eliz B.

2008-05-24

foto&legenda # hors-série (das continuações, iii. do not past)

Aquilo que costuma dizer-se é que a arqueologia traz o passado à superfície, entendendo-se a superfície como presente. Mas se, à procura de Maio, levantas e apanhas o chão, reencontras a praia desse mês? Não. Ao abrires passagem até à terra firme, corrida toda a areia, quanto muito encontras o tempo perdido entretanto, um chão pisado muitas vezes, sem que tenha sido evidente como fundamento dos teus passos e dos passos dos outros. É isto o mais exacto que podes servir-te. E não adianta discutir a dimensão das decisões tomadas antes, se pequenas, grandes ou assim assim. O passado, o teu e o dos outros, corre atrás de ti, no teu encalce, adiantando-se ao ritmo do teu avanço e do avanço dos outros, concentrando-se e dissolvendo-se simultaneamente mais do que na tua sombra, na tua carne, sendo-te intimamente estranho. O jogo do tempo é duplo e duplica-te também, em recordações e esperanças, em atraso e envelhecimento, em um só corpo, no qual e pelo qual hás-de viver e continuar a morrer.
fotografia © Tiago Gonçalves
legenda © Eliz B.

2008-05-17

foto&legenda # hors-série (das continuações, i)

Escrevo vezes demasiadas o medo de não conseguir ser justa. Não é um medo deveras mais do que é um escrúpulo. Perturba-me sobremodo a hipótese de não conseguir ponderar escritos, ditos e factos, de falhar a medida e repetir uma escala inferior, uma posição dobrada, estreita ao chão, ofendendo por defeito o que está documentado ou foi feito. De igual modo perturba-me o excesso, declarar a mais, inflacionar, ultrapassando o arquivo ou o seu motivo. Por desvio menor ou maior, de défice ou acrescentado, falhar é o princípio da oportunidade que permite tentar outra vez, eu sei. Mais do que qualquer outro elemento, a carne não engana ou ilude tal facto. A morte demora, continua, sim. Eu também. Não me recolho, não me esgoto nas costas. Por isso quando desisto é por voto de justiça, por na circunstância sentir errar o calibre, não por cuidado de defesa, instinto de preservação ou temor. Repito, como a morte, eu continuo também.
fotografia © Tracey Emin
legenda © Eliz B.

2008-05-11

foto&legenda # hors-série (das continuações, ii. cinquenta dias depois)

Já não abrimos o frigorífico há muito tempo. Dói-nos o cotovelo de tanto levantarmos o braço direito para assinalarmos perfunctória e solenemente a nossa fome. Até é provável que a validade dos iogurtes já tenha expirado. Estamos cansados de passar o pano sobre os jogos psicológicos, sobre as perdas e os ganhos do corpo a corpo, sobre as esperas. Os brinquedos estão a apanhar pó sobre a cómoda, estás a ver?, o napperon está encardido. O tempo está a passar. Deveria haver uma agência de salmos, para que não fosse necessário procurá-los em páginas de papel de bíblia. O tempo passa. Ainda há quem mantenha o olhar embrulhado. Os pés não têm escrúpulos assim, pisam. Talvez a modernidade esteja a ficar fora de moda. Talvez tenhamos que avançar, subir escadas, assentar melhor os pés sobre as coisas.
fotografia © Ed Fox
legenda © Eliz B.

2008-05-03

foto&legenda # 412 (unitive knowledge of the godhead)

É uma história de rapazes, como nos filmes em que há muita gasolina derramada e os carros explodem. Começou com uma confissão, tinham sonhos, tinham sombras, casacos de ganga para enganar a condição. Não queriam ser mecânicos ou carteiros, por não gostarem de entregar cartas de amor. Por isso ou por qualquer outro motivo, deus atribuiu-lhes uma ordem de restrição. Não poderiam aproximar-se do desvio, sequer pelo lado da dúvida ou da tentativa. Deveriam portar-se bem, com esforço e esmero, e crescerem, até serem homenzinhos. O fado, a fé e o futebol ajuda-los-iam. Mas cresceram fora do trilho, a ouvir música estrangeira e maluca, a jogar à batota e a baixar as cartas sobre mesas com cinzeiros cheios de beatas, sentados com o comando da playstation em cima dos joelhos e os polegares a conduzirem o manípulo, com a garrafa de cerveja mole entornada ao lado, no sofá, no chão. Pensaram em coisas proibidas, aventuras, pornografia, sondagens, excessos e emigração. Agora fazem downloads piratas e fumam em pose de gangster. Durante a semana usam gravata, combinada com as camisas passajadas impecavelmente pela mãe e os fatos. Dominam os logos, as siglas e o teclado do telemóvel. Deus perdeu-lhes o domínio e os onze por cento da taxa social única. Já não mandam o curriculum vitæ à amostra, têm a fotografia no hi5. São o princípio e a continuação reencarnada de Οδυσσέας.
fotografia © Paulo Vaz Henriques
legenda © Sérgio Faria

2008-04-18

foto&legenda # hors-série (o horizonte de Lorenz)

Que esperas?, a confirmação da tua convicção?, que sentes certeza e facto necessário de uma sequência. Para o destino, as tuas esperanças são inúteis. Podes possuir maços de tempo, acumulados pela experiência de virar as folhas de calendário, colecções de observações rigorosas, classificadas criteriosa e detalhadamente, um arquivo imenso de documentos. Tal não encerra o universo das coisas ou termina o futuro. Queiras ou não, uma gota de água é suficiente para, por um efeito de composição das consequências e dos impactos subsequentes, desviar os caminhos anteriores. Na verdade, por assim ser, continua a não saber-se mais sobre o que não se sabe. Ainda assim, rio-me quando chove e tu choras.
fotografia © Tiago Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

2008-04-11

foto&legenda # 411 (a liturgia das sombras)

A perseguição acumula a memória, adensa o rasto. Não é necessário saber porquê. A vida é também uma tendência a confirmar o que é anterior, repetindo-se numa espécie de cumprimento dinástico, repetindo-nos nos rituais e nos écrans. A história vence-nos assim, pela denúncia, fazendo-nos simultaneamente a alegoria do destino e os legatários das sombras pelas quais nos revelamos. Se fingimos o fingimento é porque, vivendo, não podemos ser diferentes do que somos.

fotografia © Paulo Vaz Henriques
legenda © Sérgio Faria

2008-04-05

Dos ciclopes que são nossos

Com o rabinho a dar a dar de contentinho, replico aqui - e associo-me - a uma nota do Nuno. Parabéns e vénia ao Eduardo Barrento, por ter vencido o prémio fotojornalismo Visão/Bes 2008, na categoria «natureza». Vá, vão lá espreitar os mochinhos, ao fundo, à direita. E aqui há mais fotografias de bichos do Eduardo.

2008-04-04

Early morning, April 4th
shot rings out in the Memphis sky *

James Earl Ray primiu o gatilho já passava das seis horas da tarde. MLK morreu num dia assim, como hoje.

* versos da canção “Pride (in the name of love)” (in The Unforgettable Fire, Island Records, 1984), dos U2.

foto&legenda # 410 (como os dias caem no chão)

As tardes esgotam-se na penumbra que desvanece o incêndio trazido pela luz. Após o efeito de fade out, o negro que a noite deita e estende sobre as coisas desperta-lhes um sentido diferente. Nocturno, nada é como era. Porque nas coisas mesmas está a sua diferença também. É isto o que a cidade mais guarda.
fotografia © Pedro Figueiredo
legenda © Sérgio Faria

2008-03-29

foto&legenda # 409 (despiste)

Às vezes fechamo-nos num tempo. Outras vezes fechamo-nos num lugar, onde a manhã começa a acontecer, não obstante a manhã comece a acontecer em muitos lugares, e esse lugar leva-nos até ao seu tempo, que é o nosso tempo também.
fotografia © Pedro Figueiredo
legenda © Sérgio Faria