2009-01-27

foto&legenda # 435 (diz-me qual é o teu rating)

O mundo é cada vez mais o mercado de futuros. Conhecer alguém é conhecer quanto valerá, quanto risco merece ou justifica por conta do que valerá. Enquanto presente, o presente tornou-se insustentável e insuportável, de tal modo que diluiu-se numa espécie de antecipação ou de saudade do futuro. A confiança é cada vez menos um valor fiduciário, informado e projectado, do que o simulacro disso mesmo e uma aposta, uma tentação. Existimos cada vez mais para o futuro, para sermos. Aceleramo-nos para não demorarmos a ser o que somos. Mas as notícias do que somos e conseguimos ser continuam a chegar-nos com atraso e, portanto, a fazer-nos perder. Perder sobretudo o futuro. Que é já o que somos.
fotografia © Nuno Abreu
legenda © Sérgio Faria

2009-01-06

foto&legenda # 433 (o meu nome não é melman, nem gaspar nem baltazar nem belchior)

Isto é tudo muito bonito e tal. Os magos, provavelmente por serem magos, disseram que nada tinham a declarar, nem o ouro nem o incenso nem a mirra, deixaram a excursão e foram à vidinha deles, visitar não sei quem. Eu é que me tramei, porque, parece, os camelos não têm manchas castanhas. Isto, o que eu tenho, deve ser uma doença grave, dizem. Até querem pôr-me de quarentena e decretaram embargo ao uso de meios de transporte não autóctones e, portanto, não certificados. Agora não sei o que hei-de fazer. Não querem aceitar-me no presépio, a providenciar bafos cálidos à manjedoura. Aqui entre nós, ainda bem, tal recusa vem mesmo a calhar. Não me dá jeito ter que ajoelhar-me diante da palha e ficar ali a enfeitar o curral. Tenho propensão a dores no pescoço e nos ombros. Para além disto, o espaço é apertado, o boi marra e o burro escoiceia. Pertencem a outro sindicato.
fotografia © Nuno Abreu
legenda © Sérgio Faria

2009-01-01

foto&legenda # 432 (new year’s day)

And so we’re told this is the golden age
And gold is the reason for the wars we wage
Though I want to be with you
Be with you night and day
Nothing changes
On new year’s day
*

Chegam as notícias. Não são informações sobre o amor ou sobre a amizade. Não está muito frio. As notícias más e piores vêm de lá, lugares longe. O que não é motivo para alívio ou tranquilidade. Porque o mundo começa aqui, na nossa ronda, no alcance e no que podem as nossas mãos. Ou, mais exacto, tudo continua aqui, através de nós.

fotografia © Paulo Vaz Henriques
legenda © Sérgio Faria
__________
* versos da canção “New year’s day” (in War, Island Records, 1983), da banda U2.

2008-12-25

foto&legenda # 431 (da maternidade)

E agora que o menino nasceu, não há-de ser mais difícil explicar-lhe que tem duas mães do que explicar-lhe que nasceu de mãe virgem e foi concebido pela intervenção de um espectro que, porque nunca foi visto, ninguém sabe bem o que é, embora seja sabido o seu nome.
fotografia © Pedro Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

2008-12-19

foto&legenda # 430 (director’s cut)

Antigamente era a produção artesanal, a manufactura. A vida demorava mais. Agora a vida é uma indústria, uma fábrica de teelnovelas. Várias todos os dias, todos os dias santíssimos, de manhã, à tarde e à noite. Muitas não vemos - são tantas, chiça - e outras são repetidas, reposições. O que fazemos? Depende do tempo e da disposição. Mas a maior parte das vezes ficamos a ver o que acontece e a imaginar o que poderia ou pode acontecer. O natal é muito isto também. Um costume com teelcomando. O presépio, as luzinhas, o pai natal pendurado numa parede exterior como um meliante mesmo a jeito para levar uma chumbada de uma espingarda de ar comprimido, o bacalhau com couves sobre a mesa, o bolo rei ou - se o gosto for outro - o bolo rainha, as filhoses, a família reunida, a lareira acesa, a missa do galo e a ânsia das crianças que esperam as doze badaladas. A histeria natalícia dos cachopos é uma constante das últimas gerações, pode dizer-se. Aquilo da peúga para receber os pacotes embrulhados com papel bonito, às cores, e com laçarote ou lacinho é que está meio fora de moda, não está? E os filmes antigos?, alguém se lembra dos filmes antigos? Na noite de natal a teelvisão devia passar mais filmes desses, dos anos quarenta e cinquenta e a preto e branco. Para não estarmos a ver sempre a mesma coisa, o filme habitual, vezes e vezes sem conta. Ou o caraças.
fotografia © Pedro Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

2008-11-27

foto&legenda # 429 (corpreensão)

O que não compreendo e não consigo compreender é o motivo por que somos expulsos de um corpo equivalente ao qual desejamos pertencer mais tarde, como se o desejo posterior fosse simultaneamente a confirmação e a negação da expulsão que nos aconteceu antes, como se crescer fosse uma espécie de regresso que, de facto, é continuação e eternidade. Engano também.
fotografia © Pedro Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

2008-11-04

foto&legenda # 428 (stabat puer, stabat frater)


Zero zero. É difícil explicar os prazeres pequenos, como caminhar pelas ruas deste lugar e comer frutos do fim do verão quando os outros estão dormentes. É difícil e desnecessário explicar-te isso. O que significa que forçar a explicação é equivalente à obrigação de preencher o modelo qualquer coisa, impresso da imprensa nacional casa da moeda, para o efeito devido. Devemos evitar a burocracia vital, o gesto engravatado que nos empurra para a conformidade. O padrão é um equívoco. Não é igualdade, não é fraternidade, não é comunhão. É uma simulação formal e, pela imposição da forma, política da comunidade.

Jesus, Jesus help me
I’m alone in this world
And a fucked up world it is too
Tell me, tell me the story
The one about eternity
And the way it’s all gonna be

Um. Interessam as curiosidades. Este universo, o nosso, está organizado assim, sobre pormenores. Por exemplo, é importante saber onde guardaste a tua infância, na cave? ou no sótão? A resposta importa por ela permitir conhecer o regime de acessos e de reservas que tiveste quando infante e porque disso decorrem consequências. Claro que tu podes recordar melhor aquela ocasião em que tentaste a moeda numa slot machine. Puxada a alavanca, ficaste a saber o que era o azar e a sorte. Mas, insisto, relevante é saber onde, em cima? ou em baixo?, está arquivado o teu passado. Anda, aproxima-te. Não é para enganar-te. Não sou quem procuras, não sou mais do que um rapaz. As noites estão cada vez mais frias. Se aqueço, o motivo é a febre. Isto está pior do que antes. Não tenhas ilusões. Ardem-me as mãos, sinto-as a arder, já te disse?

Jesus, I’m waiting here boss
I know you’re looking out for us
But maybe your hands aren’t free
Your father, he made the world in seven
He’s in charge of heaven
Will you put in a word in for me

Dois. Os ácidos, as bases, o catering, a delicadeza, as delícias, os dedos, nada mais para além do dê. A natureza em versão livre. Depois as bibliotecas a arderem, como nos filmes, o apocalipse. A bela e o senão, dispositivos para exercitar a verdade. Quem julgas que vence?, o animal?, a fome?, a barriga cheia?, o mal distribuído pelas aldeias?, o peixe que morre pela boca? Que seja sortilégio o que é sortilégio, que seja inquietação o que é inquietação. Não nascemos para ser cowboys, mas fingimos que somos assim. Esquece. Ontem matei um homem. Soube-me bem. Não deixei vestígios, fui furtivo. Matei o filho dele também. A mãe do rapaz chorou. Matei-a a seguir, porque um, dois, três. Agora nem pai nem filho nem santuário, embora digam que a mãe voa. Durmo tranquilo.

Jesus, were you just around the corner
Did you think to try and warn her
Or are you working on something new
If there’s an order in all of this disorder
Is it like a tape recorder
Can we rewind it just once more

Zero. As noites estão a começar a ficar frias. Sabes?, as noites guardam-nos como as mães nos guardam, para o fim. Talvez o nosso dever seja sobreviver, sobreviver-lhes. Não nos pariram para a vida normalmente, para sermos casta minipreço ou preçocerto, para o encantamento vídeo a cores. Do amor estranho, o doutor, já ouvimos falar. Até amamos a mesma bomba. Sinceramente, quero que se foda. Não tenho força para mais. Superfícies, arestas, ângulos, prazeres pequenos, sombras maiores. Sinceramente, que se foda. Já sabes como acabam as noites, não é? Uns despertam, outros adormecem. Ó comunidade filha da puta, tão filha da puta, que fazemos, a que pertencemos, que merecemos. Merecemos tanto quanto a morte. Cuspo no chão. Cuspo no meu corpo também. Não será diferente quando e se voltares. Já não sei quem és. Não estou a tentar ser perfeito. Ardem-me as mãos.

fotografia © Pedro Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

a legenda é interceptada por versos da canção “Wake up dead man” (in Pop, Island Records, 1997), dos U2.

2008-10-09

foto&legenda # 427 (lugar e voltas)

Foste um lugar, um lugar apenas. O tempo correu sempre sobre ti, como ainda corre, às voltas, dos crepúsculos às auroras e destas a aqueles. Foste um lugar, um lugar apenas, no carrossel das horas. Nada mais poderei dizer sobre ti, excepto que estou a tentar esquecer-te. A minha diária é diferente da tua, incompleta. À minha diária faltam as horas que não consigo, as horas permanentes e rolantes que sempre deixaste correr sobre ti. Foste um lugar, um lugar apenas. Não levo saudades de ti, não quero levar.
fotografia © Nuno Abreu
legenda © Sérgio Faria

2008-09-29

foto&legenda # 426 (godroom)

Que, nesta habitação, da certeza da luz levas também a sombra, para saberes que há coisas que se desvelam e outras que se velam. Que, se fores capaz de olhar como eu, hás-de ver que, carregados por ti, os cestos da vindima levam o que será o meu sangue. Sangue por sangue, é o que é. Que é o que é quase tudo.
fotografia © Tiago Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

2008-09-05

foto&legenda # 425 (warum der liebe gott will, daß es arme leute gibt)

and born in the mirror where lifes just begun
and i’ve roamed from the reasons and roamed to the gun
*

Perante os pés descalços, é necessário o exercício da epiqueia para explicar o motivo por que deus não nos livra do mal da pobreza e tanto nos entrega a si, sem nos permitir emburguesar, conforme a vontade que é nossa.
fotografia © Tiago Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

* versos da canção “Devil’s waitin’” (in Howl, RAC Records, 2005), da banda Black Rebel Motorcycle Club.

2008-09-01

foto&legenda # 423/424 (mímica, uma arte de)

O gesto de representação da coisa é mais uma questão de competência estética do que de educação. Ela sabe e faz bem, eles não. Não espanta. A aproximação à perfeição exige jeito que, como o mister Jesualdo Ferreira - uma espécie de Deolinda -, os de baixo não têm. E o seu erro não decorre apenas do modo como recolhem o anelar e o indicador. Como desdita antecipada, decorre também e sobretudo do grémio pelo qual torcem, o da galinha.
fotografias © Nuno Abreu
legenda © Sérgio Faria

2008-08-23

foto&legenda # hors-série (das continuações, ix)

Confidência. Estou a pensar. Talvez mais do que isso, estou a imaginar. O corpo não é península, é continente. E as feridas são satélites alojados aí. Íntimas, muito íntimas, doem e continuam a doer, mesmo depois de cicatrizarem. Não é segredo, as mágoas não têm fim, não são algo que possa acabar. Creio que são assim, antes de as imaginar. __________ Aprendi a beber café sem açúcar com o meu irmão. Mas isto não é importante. Estou a imaginar a canção em que Nick Cave canta you are not a home for the hearts of your brothers.* E a imaginar o que pode entrar pela janela da cozinha, se aberta. Não sei. A janela não é muito alta, é acessível facilmente. Talvez devesse preocupar-me com o facto. Porém não consigo imaginar que perigo possa passar por aí. Deus?, o bom. Deus não é o melhor dos amantes, é apenas uma personagem que imagino em technicolor. Sim, continuo a imaginar. É tudo quanto depois exige. Depois, exactamente. Agora não é tempo de admitir regressos. Já foram passos demasiados para diante.
fotografia © Aino Kannisto
legenda © Eliz B.
__________
* verso da canção “As I sat sadly by her side” (in No More Shall We Part, Mute Records, 2001), de Nick Cave & The Bad Seeds.

2008-08-16

foto&legenda # hors-série (das continuações, x)

O que mais vejo são as tuas ausências somadas às minhas e o meu corpo preenchido com isso. Desespero?, não consinto que seja. Adianto-me às suas consequências. O que permito sobre o meu corpo é a injunção da loucura, para que pareça certo e consonante, sem desvio à esperança. E depois? - muitas vezes perguntas tu e depois? -, depois é depois, um lugar como outro qualquer. Uma sina, dizes. Mas não a nossa sina, não uma sina comum. _____ Como a ciência velha, tu acreditas em leis. Poderia dizer ainda, tu ainda acreditas em leis, mas não compreenderias o sentido do advérbio. As certezas são-te mais do que tu és. É isso o que mais nos afasta, porque eu tendo a afastar-me dos imperativos saturninos a que obedeces.
fotografia © Traci Matlock e Ashley MacLean
legenda © Eliz B.

2008-08-13

Foto & Legenda - 15 de Agosto

Pode haver festa na aldeia sem filarmónica, da terra ou de perto?
Sem a música pela estrada, pelos caminhos da procissão a acompanhar a padroeira em desequilíbrio porque o alcatrão não chega a todo o lado, mas a fé sim e de lá não quer sair?
Sem o sol a fazer da tuba um espelho, sem a jovem de óculos escuros do saxofone, sem o veterano do trombone de varas, sem aqueles ali de passo trocado (quantos?) e, ao fundo, o bombo que esconde o tocador?
Sem a nuvem que parece que sai do sopro do jovem que anda na universidade, lá longe, e vem ao fim de semana juntar-se aos que por cá labutam?
Sem a marcha Almadanim, mesmo que a Tuna já não seja a do José Jacinto, e na “banda” há muito não toquem o Tó Á, e o Abílio, e o J’aquim Tuba, e tantos outros?
Digam-me se pode?
Dizem os festeiros – e o senhor prior, claro, que ele é que tudo diz, ou, pelo menos, a última palavra diz – que sim.
Mas eu (a)teimo a dizer que não. Que assim ou não é festa, ou não é aldeia, ou tudo isto já é sei-lá-o-quê… e siga a dança a toque de um conjunto de barulho à toa e fumos de cores, tudo comandado de… uma “mesa de mistura”. Até porque o que é preciso é facturar que estão cá os “ça va”.
Ora bolas p’rá “festa na aldeia”, que não é da aldeia, que nem festa é!
foto & legenda de s.r.

foto&legenda # 421 (construção)

A mesma dúvida, se é amarelo e serve para fazer coisas grandes, labirintos, habitações, mundos, é um lápis.
fotografia © Paulo Vaz Henriques
legenda © Sérgio Faria

2008-08-09

foto&legenda # hors-série (das continuações, xii)

Sou do equinócio outonal, da falência de setembro e depois, quando o tempo torna áspero. O verão é uma demora que sofro, não sou seu resort. Imagino o centeio quebrado, as sombras a nascerem nas searas e nas casas caiadas de branco. Sinto o calor a apertar-me a respiração, a quietar-me. Talvez seja sob a luz do estio que mais revelo a fuga em que me consumo. No verão recuo até recolher-me dentro de mim, onde descubro começarem as vertigens. À noite é diferente, mas as noites de verão não são autênticas. Durante o verão não se diz acentuado arrefecimento nocturno, o regime é distinto. Os cheiros são mais soltos, vagam devagar, como se perpetuassem o tempo, produzindo um efeito semelhante ao cigarro com que me acompanho. Não sei, é estranho. O verão faz-me andar lentamente e voltar para trás, para o abrigo telúrico das tardes. O que faço?, espero o outono, o meu ofício. Espero-o sozinha, para a insídia ser perfeita, a continuação.

fotografia © Анастасия Ти́хонова
legenda © Eliz B.

2008-08-07

foto&legenda # 420 (o jogo da cadeira)

Os espaços vazios devem ser preenchidos de acordo com o manual de instruções, cinco números, duas estrelas, uma cadeira.

fotografia © Pedro Figueiredo
legenda © Sérgio Faria

2008-08-05

foto&legenda # 419 (eternidade em que os deuses morrem)

O que falta fazer?, a parte de baixo, onde os segredos são guardados entre capas, numa eternidade em que os deuses morrem e os homens combinam encontrar-se com as mulheres. Vem.
fotografia © Pedro Figueiredo
legenda © Sérgio Faria

2008-08-02

foto&legenda # 418 (a condição que nos é calada)

Aproximamo-nos vindo do silêncio. Somos a condição que nos é calada.

fotografia © Pedro Figueiredo
legenda © Sérgio Faria

2008-07-18

foto&legenda # 417 (<- ->)

Se procuras Shakespeare, podes ir tanto para a direita quanto para a esquerda. É assim, com a escolha, que se abre o sentido de cada tragédia.
fotografia © Pedro Figueiredo
legenda © Sérgio Faria

2008-07-16

foto&legenda # 416 (concórdia)

Separadas, a direita e a esquerda, concordam as mãos no trabalho a que são levadas, mexendo nas coisas e pondo obra sobre elas. E pelas mãos passa a invisibilidade de sempre, a demora longa. Até determinado limiar chama-se-lhes vida. Porém o que mostram sempre é a concórdia, inclusivamente no ritmo com que enrugam e redobram a própria hipótese. Daí que, quando se pergunta onde começa a humanidade, não haja resposta mais certa do que nas mãos, porque já duas são dadas em uma pessoa só. De si nascem a multiplicação e a unidade.
fotografia © Tiago Gonçalves
legenda © Sérgio Faria

2008-07-12

foto&legenda # hors-série (das continuações, viii)

Como é que compreendo os dias?, perseverando as esperas. Ao demorar consigo decifrar o seu enredo. Torna-se evidente que, nos dias, o amor não é um valido e que amar é um verbo intransitivo. Por isso, do apocalipse, das cicatrizes, dos gemidos estrangulados, das vasas onde deito o corpo, não sei para onde vou. Também não me parece que seja importante saber o destino. Não estou a pensar arrancar-me à sua força. Confesso, imagino o destino como um ovo. É estranho, reconheço, porque ovo significa princípio e destino significa fim, mas talvez seja assim porque é imaginação, por nada mais. Às vezes os sentidos misturam-se. __________________________ Esquece os meus pés, esquece o pó. Uma máquina conduz-me para a distância, os dias levam-me. Eu não volto.
fotografia © Man Ray
legenda © Eliz B.

2008-07-10

foto&legenda # 415 (casa dos comuns)

Esta é a nossa casa, dizem a quem sem abrigo distinto da solidão, como se fosse uma frase de um romance, para amparo. Dizer a frase não é problema maior do que acreditar nela. Em si há um mote de verosimilhança, a que o papel, primeiro, e a ecúmena de Gutenberg, depois, emprestaram foro civilizacional. Não são poucos os que acreditam que, de facto, esta é a nossa casa. Mas, porque falhamos a habitação, na sua proporção maior a frase dita não tem verdade.
fotografia © Pedro Figueiredo
legenda © Sérgio Faria

2008-07-08

foto&legenda # 414 (lacrimæ rerum)

A ti, só a ti, poderia dizer certezas, daquelas que os olhos vêem. Poderia insistir até que a evidência se revelasse diante de ti. Poderia lavar os teus olhos com as minhas lágrimas, antecipando-te o inverno. Sei que, não obstante todos os meus esforços, continuarias a não ver o que eu vejo, porque esse é o valor que guardas. Estás quieta para que, cumprindo o sentido das coisas, os outros possam ver por ti e dizerem-te certezas que talvez não haja.
fotografia © Nuno Abreu
legenda © Sérgio Faria

2008-07-04

Workshop de fotografia da natureza


Workshop no estúdio A IMAGEM por Eduardo Barrento, vencedor na categoria "natureza" do prémio fotojornalismo VISÃO/BES, Lisboa, 2008.


Local: estúdio A IMAGEM Ourém e saída para o campo
Data: Domingo, 20 de Julho de 2008
Horário: 10 horas
Destinatários: Iniciados, ou amadores com alguma experiência
N.º máximo de participantes: 15
Preço: 50 euros
Contacto/Inscrições: estúdio A IMAGEM Ourém
geral@aimagem.com
tel. 249 542 004

PROGRAMA DO WORKSHOP

Manhã

1. Introdução à Fotografia da Natureza e da Vida Selvagem
1.1 Paisagem
1.2 Animais
1.3 Macro

2. A Exposição
2.1 Sensibilidade
2.2 Abertura e profundidade de campo
2.3 Velocidade de obturação e o “tremido”
2.4 Expondo correctamente

3. O Material Fotográfico
3.1 Câmaras
3.2 Objectivas
3.3 Tripé
3.4 Flash
3.5 Extras para a fotografia da natureza

4. A Composição

5. Considerações Finais e Dúvidas

Pausa para almoço


Tarde

6. Saída para o campo