2008-08-13

Foto & Legenda - 15 de Agosto

Pode haver festa na aldeia sem filarmónica, da terra ou de perto?
Sem a música pela estrada, pelos caminhos da procissão a acompanhar a padroeira em desequilíbrio porque o alcatrão não chega a todo o lado, mas a fé sim e de lá não quer sair?
Sem o sol a fazer da tuba um espelho, sem a jovem de óculos escuros do saxofone, sem o veterano do trombone de varas, sem aqueles ali de passo trocado (quantos?) e, ao fundo, o bombo que esconde o tocador?
Sem a nuvem que parece que sai do sopro do jovem que anda na universidade, lá longe, e vem ao fim de semana juntar-se aos que por cá labutam?
Sem a marcha Almadanim, mesmo que a Tuna já não seja a do José Jacinto, e na “banda” há muito não toquem o Tó Á, e o Abílio, e o J’aquim Tuba, e tantos outros?
Digam-me se pode?
Dizem os festeiros – e o senhor prior, claro, que ele é que tudo diz, ou, pelo menos, a última palavra diz – que sim.
Mas eu (a)teimo a dizer que não. Que assim ou não é festa, ou não é aldeia, ou tudo isto já é sei-lá-o-quê… e siga a dança a toque de um conjunto de barulho à toa e fumos de cores, tudo comandado de… uma “mesa de mistura”. Até porque o que é preciso é facturar que estão cá os “ça va”.
Ora bolas p’rá “festa na aldeia”, que não é da aldeia, que nem festa é!
foto & legenda de s.r.

4 comentários:

Kris disse...

Li e reli. E vem-me à memória todas as festas de aldeia a que fui. Foram 10 anos de filarmónica. A percorrer ruas e ruelas, por caminhos, sítios e lugares que não lembram a ninguém.
Vivam as festas de aldeia e as filarmónicas.

s.r. disse...

Que bom, Kris, ter lido este comentário. Deu-me mesmo alegria!
E compensou a tristeza que me dá a "festa da minha aldeia" não ser nem festa nem da minha aldeia...
Conheces o poema do Manuel da Fonseca "mataram a tuna"

Anónimo disse...

Podes crer Kris.. Marchar e marchar sobre um sol desgraçado, tão mas tão desgraçado que de vez em quando havia quem não aguentasse os seus efeitos e lá desmaiava em pleno desfile pela ruela da aldeia/vila/cidade em festa..

E por isso o voltar ao fim de semana à santa terrinha era sempre feito com grande expectativa.. Quem sabe o que iria acontecer num próximo desfile?

Tatiana.

betinha disse...

Oh minha querida tati, que a kris e euzinha, tenhamos percorrido muitas ruas e ruelas e até mesmo carreiros de cabras debaixo de um sol torrido, é bem verdade, mas tu?! Na brigada dos iogurtes?!... Oh minha querida, longe!